quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pleno Vôo




Irrompe em mim a aurora
A madrugada suaviza o olhar de quem ama,
Da janela vejo o sol despertando para mais um dia,
Acima das nuvens um mar de silêncio e a calma inquietante.

Para onde foram as aves?
Daqui de cima não se vê a chuva nem o arco-íris,
Meu corpo desliza sobre as cidades postas sob os pés,
Soberania de menino que deseja o mundo.

Sinto saudade da minha mãe.
Alguma coisa em mim busca algum lugar que não sei onde?
A saudade é moradora mais antiga no quarto 01 do meu coração.
Meu coração, por onde andará o meu coração?

Absorvo o que vejo e trago a fumaça do tempo,
Aspiro o que me inspira a enxergar além das janelas da alma.
Minha alma, por onde andará? Agora eu sequer saberia dizer,
Mas imagino que em algum lugar no passado:
ali onde as pessoas deixam suas marcas para sempre.

Zênite e Nadir






Hoje sangro nas feridas abertas de ontem,
O corpo chora o inexplicável,
A pele verte os dias que passam sobranceiros,
A alma verte o passado em forma de vinho acre-doce.

Minhas lágrimas são chuvas de invernos frios,
Meu suor é rio que corre montanha abaixo,
Meus desejos, cachoeiras que morrem nas pedras,
Odores de velhas cabanas onde meninos brincam futuros.

A poesia em mim é sangue que verte a vida,
Vida que versa a vontade de ser zênite,
Que morra o vazio ante o caos!
Minha espera acaba aqui: nadir de latas amassadas da festa de ontem.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um Natal Diferente



"O Natal é tempo de neve, sinos, renas e trenós,


mas como sonhar com isto no sertão do Nordeste?


meninos nordestinos do natal conhecem só os sinos.


As igrejinhas falaram sobre o menino Jesus,


Pintaram sua face e corpo na manjedoura,


Esse sim, se parece com o caboré no meio do mato.


O natal europeu é lindo, MAS DISTANTE PARA NOSSA ALMA AGRESTE


O natal do sertanejo é cruz erigida desde cedo,


É presente sofrido sem presentes nem Papai Noel PRESENTE.


É raro o nordestino ter um papai,


E mais raro ainda o Noel.


Amo o natal porque me remete aos sonhos DE CRIANÇA,


meninos pobres sonham com presentes e família presente.


No natal o menino Jesus é apenas sorriso, alegria e afeto.
EMANUEL: DEUS PRESENTE,


As crianças amam o natal a despeito de credo, cor, REGIÃO ou idade.


No nordeste o natal regido ao som da rabeca, tem cara de saudade, peru e gorgonzola.


E quanto a mim,


o meu natal é quietude, sininhos e guirlandas na porta do coração.

Para todos os que porventura leiam este poema: Feliz Natal!














sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Solidão





"O sol escondeu o seu sorriso entre núvens tímidas,


também sua razão de brilhar se foi!


A lua, linda e viçosa,

esperança e canção de sua alma partiu façeira,

enquanto, seu perfume, molhava o chão da saudade,

ali onde poucos sóis sobrevivem,

onde a dor persiste em doer,

onde aves belas que antes voavam e cantavam,

apenas saltitam serelepes com um grunhido triste no peito,

ali onde estrelas ensaiam a valsa de inverno que não mais será tocada,

onde a dança da magia jamais desenhará o piso opaco da beleza na festa do meu cansado coração,

este, já conhece a estrada e solitário se fez,

viandante com olhar no horizonte destila a vida entre a sede, a água e o cântaro;

me fiz lágrima vertida no olhar do desejo,

me fiz verso nos lábios do cantador,

do poeta eu fui a prosa,

do vaqueiro eu fui o mote,

e, com pouca sorte, me vi andando solitário de novo,

mas o que fazer se a alma esquece que amar é uma dor?



A angústia explode o meu peito como a cascata quebra as pedras no véu de noiva que dos


montes desnuda o céu,

aqui estou eu:

meu medo,

meu passado,

minha solidão,

o amor, bandido de brincadeiras infantis,

sorriu pra mim, mas logo se foi,

pegou carona no vento,

sequer franziu sua face;

deixou um rastro na areia,
uma palavra em forma de poema,

um verso em forma de afeto;

alegria que veio,

e ligeira se foi,

levando o pouco que restava,

e quanto a mim?


Me recolho à minha insignificância...

bebo o cálice de vinho de adegas de ontem,

ainda hoje vejo arder em mim o toque do olhar que rumou para o sol.


O olhar que esconde a lágrima,

um um sorriso contente,

uma pérola de mares escuros,

terra dos deuses antropóides,

uma ternura,

o mimo na leveza de olhos que se sabem saudosos".

Perdão





"A mão que afaga a pele da criança foi traspassada,


enquanto o peito sangrava a dor que o vento insistia em não levar,

os pregos,

a lança,

a coroa de espinhos,

a cor do vermelho que escorria no olhar,

trazia a lembrança do amor sincero dado gratuitamente,

sangue, suor e lágrimas;

nenhum gemido de protesto,

nenhuma palavra blasfema,

nenhuma revolta em forma de palavras,

nada que lhe pudesse tirar a nobreza.


Anos passados,

pés feridos,

mas a tristeza veio a galope, voando rasteira,

os melhores amigos se foram,

porém, seu coração insistia em amar,

seu assombro fez ruir a alegria,

seu terror brandiu a espada nua e fria no colo do coração que amava.


Uma palavra,

a traição,

a morte,

sorte em ruinas.


A pele enrrugada desejando o toque de quem partiu,

o afeto se esmigalhou,

o pote quebrou-se junto à fonte,

solidão,

uma canção se fez ouvir,

cuja melodia vaga na saudade de dias passados e de casa,

o último olhar,

um adeus em forma de silêncio,

um até breve, volto logo,

mas o semblante refletia a alma do que jazia ao pó.


Perdão,

a maior das melodias cantdas de perto ou à distância,

um afeto,

um sorriso,

um gesto que se eternizou,

a cruz deixada para trás,

o averso da luz,

uma rua solitária,

o Cristo se fez amor no olhar,

as chagas eram sua lembrança mais profunda da humanidade,

e de sua alma uma palavra não quiz calar:

PAI PERDOA-LHES PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM".


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Coisas Insignificantes





"Hoje eu me sinto menor que um grão de areia,

minha finitude me devora,


E suas garras fazem em mim crateras lunares,

Golpes fulminantes me levaram à lona,

Beijei o pó, enquanto percebia que eu era apenas um conto ligeiro.

Notei-me insignificante ante às surpresas que esta vida traz,

Sinto-me como uma velha pá pendurada num celeiro da fazenda,

Onde a poeira esconde as marcas daquilo que já foi útil um dia,

Deixei o silêncio dominar meu mundo interior,


Enquanto ouvia ecos de um passado distante.


Nada nem ninguém pode ser mais importante que o torpor daquele instante,

As mãos formigando,


Os pés flutuando sobre um chão de vidro,


enquanto a boca sedenta clamando por paz,

destilava a prece que a alimenta em tempos de vendavais e tormentas.


Joguei fora o medo e apeguei-me à doce ilusão de que a vida é breve.


Tocar a finitude não é de tudo ruim,


Mas dá uma sensação de desterro,

Saber que tudo que se ama ficará para trás,

Porém, pior mesmo é saber-se não amado, ou ser deixado para trás,

Portanto, para mim, o tom da morte é o desamor,


Amar e ser amado é seu melhor antídoto.


A vida viaja ligeiro, navega impoluta nas águas do destino,

Poucos são os que não naufragaram em tais águas,

Até descobrir que a finitude é um dom, um privilégio,

Pois, o corpo viciado do mundo se cansa,

Faz da morte umparto para uma outra vida.


O além reserva o ignoto ao coração,

A fé arquiteta belas ruas e largas praças com janelas abertas para o paraíso,

Ali onde Deus é a plenitude de tudo,

Sim, onde nós somos mais do que meras coisas insignificantes".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Terra da saudade






"O sol fechou suas cortinas douradas

e o azul do céu deu lugar à negrura pálida da nostalgia,

senti o hálito do tempo baforar em minhas narinas seu aroma quente,

vi destilarem em mim as lágrimas de dias que se foram,

tardes sombrias de sois brandos,

onde o vento levantava a poeira de onde saíam as meninas que corriam nas ruas,

sim, ali onde a malícia não atingia nosso olhar,

o olhar de meninos famintos por brinquedos manufaturados no fundo do quintal;

embora, o dessejo forte da paixão já esquentasse o pão no fogão à lenha da história,

sim, ali onde crescíamos e não nos dávamos conta.


Sinto saudade de mim mesmo,

menino, frágil, desnudo, correndo ao léu,

pés descalço, ao tempo e ao vento,

um universo de sonhos na cabeça e no coração o mar de desejos.

Sinto saudade de ti, terra jamais vista,

porém, desejada como outros mares distantes.


O véu que quebra o olhar se fez notar na penumbra do sorriso que se fechou com a última janela,
nasceu a esperança de encontrar a vida,

sim, nasceu a saudade de um tempo florido,

de dias inocentes,

do amor adolescente,

do calor sol,

das flores de invernos,

de verões passados,

sim, parti com o último trem que partiu,

me vi absorto, recluso em minha individualidade,

e a única palavra que retumbava em meu peito era: esperança;

o objeto do desejo na terra da paixão,

sim, na terra da saudade, onde mar e céu se fazem um só corpo".