sexta-feira, 16 de abril de 2010

Uma Questão De Semântica



Situo-me no fundo de mim mesmo agora.

Não sei ao certo o que dizer se tudo aqui é espera.

A palavra não eclode em mim e assim a primavera dá lugar ao sol.

Acontece que tudo aqui exige a palavra que não vem.

O que fazer quando a palavra não vem?

Nada, apenas respirar fundo e adejar em silêncio.

Sinto Deus perto de mim, Presença em mim que transporta-me e que transcende-me sobremodo.

Calo em mim a palavra amar, verbete que define a tudo o que penso sentir.

Mas amar dói? Resta saber em qual perspectiva.

A palavra amar contém quatro grandes universos que mais admiro,

Amar enquanto ato do amor em si.

A palavra mar que me remete às travessias.

Mar, como lugar onde velejo para longe de tudo que se chama nostalgia,

E, a palavra ar.

Nada melhor que respirar o ar dos campos, onde jardins floridos dão lugar aos sonhos.

Vôo profundo no céu de oceanos azuis e montanhas cinzentas.

Daqui eu vejo as pipas presas às linhas que seguram meninos nas ruas.

Vejo aves voando na direção do adeus.

E finalmente, amar contém no sentido contrário o verbete rama.

Aqui a esperança não traz confusão. O verde é ramalhete na guirlanda do afeto.

Folhas de outonos distantes.

Rama é semente que refaz o mundo.

Amar é tudo isso! É mar, é ar, é rama.

Amar é simplesmente amor.

Amar é rocha firme sobre a qual meu corpo simplesmente espera.

De onde o meu olhar contempla a eternidade.

Amar é mais que uma questão de semântica.

Amar é mar,

É céu,

É ar,

É voar sem asas por ai sobre o céu da cidade,

É ramalhete de esperança,

Mas é antes e acima de tudo a palavra que me faz ser quem sou.

E o que sou?

Um menino, apenas um menino, empinador de pipas,

Sim, um menino que encontra nas palavras as linhas,

E uma maneira de significar o seu mundo: semântica.

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