quarta-feira, 13 de maio de 2009

No Fundo



A pedra caiu no fundo do poço,
O espelho d’água franziu-se em ondas;
Os olhos que do fundo viam o olhar que avistava do alto,
Eram apenas reflexos de olhos postos
No fundo da alma que a água tranzia.

Um som se fez ouvir no fundo da escuridão;
Era um tom de pedra que salta para o ignoto,
Queda livre da boca do poço ao fundo das águas,
Solidão de águas cintilantes no abismo do poço sem fundo.

No fundo do olhar dava para ver o fundo da alma,
Que do fundo do medo via-se no espelho reluzindo o tempo;
Fagulhas de sonhos decantados na lama,
Limos e musgos de desejos no fundo das horas.

No fundo do meu eu habita um nômade,
Pedra lançada no fundo da esperança,
Poço de mim em olhares desertos,
Fontes que abrigo na calada da noite da minha dor.

No fundo, Deus e eu comemos o pão da alegria,
Poesia feita em prosa e em versos,
Reversos de fundo de quintais de ontem,
Reflexo de mim mesmo no espelho d’água da memória do poço em mim.

Um comentário:

Nadja disse...

A poesia é fabulosa, fiquei um bom tempo me deparando com ela.
Passei a refletir sobre o poço que há em mim, sobre a inquitude da alma e a busca pelo desconhecido. Acredito que essa é a vontade que me leva a conhecer a Deus...a entender a paz que ele reserva para aqueles que nele crê.

Nadja