terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Morte e Resistência


Eu vou trocar o luto pela luta.

A morte é parte da vida, embora sua face seja tenebrosa.

Ela não respeita idade, status, classe ou personalidade.

Todos sabem que existe e que virá a seu tempo,

Todavia, na mesma medida, todos a resistem com a fúria de um titã.

Há muitas formas de mortes nesta vida.

Existe a morte do amor que se rompeu no último abraço,

A do amigo que se deu à traição sem causas aparentes.

Há a morte que a inveja precipita e a que o ciúme acorda.


Morremos todos os dias e sequer nos importamos: envelhecemos!

Temo a morte sem despedidas.

Temo-a sem luto.

Aliás, o que seria da morte sem o luto?

Só faz o luto quem sente saudade.

Luto é dor dos que amam!

Não há luto se não há amor nem respeito.

Fazemos o luto do que consideramos perda ou perdido: perdemos.

Se não há sentimento de perda, não há luto nem canção de despedida.

O luto é o anúncio de que alguém muito estimado se foi.

O luto de certo modo é sinônimo de que eu morri com o objeto amado.

Luto é silêncio temporário de quem sente a dor do amor ou do ser amado que partiu.

Quem partiu não sabe a dor!

Quem não ama não sabe a dor!

Luto é luta de quem na lida não aceita ficar só nem para trás.


Eu já vivi muitos lutos.

Já morri muitas vezes e sequer soube se alguém verteu uma lágrima.

O meu luto me levou à luta: eu luto contra o que o luto fez em mim.

Nesta vida, para algumas pessoas o luto é símbolo de ir à luta.

Cedo se descobre que os mortos nada podem fazer.

Não temo a morte física, pois esta é apenas parte da vida frugal.

Temo sim, as mortes diárias que vestem a alma de angústias.

Mães que perdem seus filhos para traficantes.

Pais que se afogam no fracasso da formação de seus filhos.

A descoberta de que tudo o que fizemos deu em nada ou em muito pouco.


Temo o luto de uma religiosidade sem conteúdos e sem fé.

Temo o luto de sonhos morridos no caminho e de não haver caminhos.

Hoje para mim, meu senhor, eu luto.

Quero transformar o luto em minha luta.

Quero continuar crendo em Deus a despeito de tudo e das sepulturas abertas,

Pois hoje vivo a única vida que me é possível,

Onde viver é Cristo e morrer é lucro.

O luto de hoje é prenúncio da ressurreição de amanhã.

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