quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Elegia a Campinas!


 




Parte da minha vida eu vivi na cidade de Campinas.

Eu tinha apenas 12 anos de idade quando lá cheguei.

A louçania do meu mundo andava quebrada e ali eu me refiz no outono.

A beleza do lugar encheu-me de poesia a alma.

Não me refiro à arquitetura harmoniosa, mas ao adolescer da alma da cidade.

Toda cidade tem uma alma, Campinas tem corpo, alma e espírito.

A alma de um povo se vê nas casas, nas ruas e na convivência.

De toda beleza que pude enxergar, foi no inverno que me enamorei da vida.

O frio das ruas e os ventos uivantes faziam a melodia da ternura.

Os flamboyants, vermelho fogo para o olhar anelante,

Os ipês amarelos, translúcidos de candura que me arrebatavam.

Quantas vezes eu parei minutos a fio preso à exuberante beleza das flores.

Tudo ali promovia em mim certa alienação agradável.

Os muros cobertos de heras.

Os jequitibás nos bosques.

Os jambeiros, os cambuís, morangos e pessegueiros.

O japonês da esquina, os mineiros e aquele sotaque italiano.

Andei por suas ruas como quem pelas artérias percorre o corpo.

O teatro, os parques, os túneis, as escolas, o centro da cidade!

Tudo era belo!

Ali eu enfrentei dias calmos e dias agitados.

Ouvir Toquinho, ler Rubem Alves na coluna do jornal,

João Alexandre, Guilherme Kerr e as cordas.

Guarani versus Ponte Preta.

Liceu, Ateneu e Evolução me evoluíram o desejo do saber.

Fui Patrulheiro do amor em suas ruas frias.

Os edifícios cercados da beleza da primavera, encandeciam os meus olhos.

Quem não sabe ver, jamais contemplará a flor das campinas que é a cidade.

O seu pôr-do-sol define a moldura de sua poesia encantadora.

Sua nostalgia me habitou serena.

Ali eu encontrei amigos, abrigo e um lugar para sonhar.

Sinto saudade de seus outonos,

Das chuvas de granizo e do orvalho das manhãs.

Os nomes dos bairros que mais me encantavam eram os de jardins.

Campinas evoca as flores e à natureza: Taquaral, Campos Elísios, Amoreiras.

As ruas têm nomes de gente importante: Barreto Leme, Benjamim Constant, Bento
Quirino.

As suas praças arborizadas, evocam a beleza e a ternura na calma.

Campinas é música, é Vila Lobos.

Campinas foi o meu amanhecer no adolescer da minha alma.

Sonho mantido em mim como lugar de saudade e paz.

Nesta cidade eu vivi meus outonos e invernos de emoções diversas.

Seus edifícios me chamavam às alturas e ali eu amei a meu pai.

Com os meus irmãos outrora distantes eu sorvi a alegria entremuros.

Sinto saudade dos sóis das tardes e manhãs daquele lugar abrigo.

Campinas é em mim uma tela de amor que o tempo jamais apagará.

Moldura de amor de um mar de sonhos, afetos e alegrias.

Em minha vida as poesias nascem com o vento e com ele as deixo ir.

As lembranças nascem com a distância e nelas ainda choco os ovos da saudade.


Poema de Robério Jesus.

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